Qual a lição que o COVID-19 deixa para a humanidade?

Qual a lição que o COVID-19 deixa para a humanidade?

A pandemia gerada pelo coronavírus provocou uma grande corrida entre pesquisadores e cientistas. Enquanto muitos trabalham para descobrir uma vacina ou o tratamento mais adequado para a cura da doença, outros estudam as causas de sua origem e como o vírus migrou de animais silvestres para seres humanos.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) é uma das muitas frentes que atua na pesquisa quanto a origem da doença e a sua relação com o ambiente. Segundo a organização, 75% das doenças infecciosas emergentes em humanos são transmitidas através de animais.

São enfermidades que estão relacionadas a transformação do meio ambiente provocadas  pelo homem e que, consequentemente, aproxima a vida silvestre da sociedade. O que faz com que os patógenos (agentes provocadores de doenças) mudem de hospedeiros, entre animais e seres humanos.

O desmatamento, mudanças no solo, intensificação da criação agrícola e comércio ilegal de animais silvestres são algumas das causas que contribuem para o intercâmbio de doenças entre animais e seres humanos. Além das mudanças climáticas, que também contribuem com eventos naturais como seca, enchentes e furacões, e influenciam nessa migração.

O surto de Ebola que ocorreu na África Ocidental, por exemplo, é resultado do desmatamento que levou a vida selvagem das florestas para próximo dos seres humanos. Já a gripe aviária tem relação com a interação entre humanos e aves.

Tudo isso mostra claramente como as mudanças que promovemos no meio ambiente alteram o ciclo de vida de espécies nativas. Tão importante para o equilíbrio populacional da biota e, consequentemente, para relação entre hospedeiros, vetores e/ou patógenos.

A necessidade de uma interação zelosa com o meio ambiente para o desenvolvimento humano responsável e sustentável é cada vez mais evidente. Só não vê quem não quer.

A principal lição que podemos aprender com o COVID-19 e já está claro para a comunidade científica é que o desequilíbrio ambiental será um dos principais fatores para o surgimento de novas doenças, epidemias e pandemias.

É impossível prever quando será a próxima vez que viveremos um surto de uma nova doença ou como ela será. Mas já conhecemos as principais medidas que temos que tomar para proteger nossa biodiversidade e controlar a disseminação de novas doenças.

Mudanças no nosso comportamento e hábitos são urgentes para a manutenção da qualidade de vida no planeta. Agir com consciência e ir além do que é exigido por lei deixou de ser vocação entre as pessoas e empresas e passou a ser uma necessidade.

E você? O que está fazendo para agir de maneira mais responsável com a sociedade e o meio ambiente?

A Aura tem o orgulho de oferecer soluções socioambientais inovadoras e eficientes que contribuem para uma realidade mais responsável e sustentável.

Os novos Rs da sustentabilidade no pós pandemia

Os novos Rs da sustentabilidade no pós pandemia

A pandemia gerada pelo Coronavirus e seu consequente isolamento social nos fez mudar hábitos e repensar muitas de nossas ações, entre elas a nossa relação com o meio ambiente e o entendimento da sua importância para nossa existência. Diversos estudos e pesquisas já apontam mudanças no comportamento da sociedade.

Um destes estudos, chamado de “O novo consumidor pós covid-19”, produzido pela consultoria McKinsey e publicado pelo Estadão, mostra que o consumidor passou a refletir mais sobre sua necessidade de compra – devido à crise financeira e incertezas do mercado – e que a sustentabilidade deixou de ser um conceito abstrato para um critério de escolha e meta a ser atingida. Isso faz com que as empresas também tenham que se adaptar e adotar esse novo comportamento como meta para sua marca e produto.

Acompanhando esse movimento, os já conhecidos três Rs da sustentabilidade (Reduzir, Reciclar e Reutilizar) ganharam novos companheiros. Seu objetivo é guiar ações a serem tomadas por pessoas e empresas visando a minimização do impacto causado pelas atividades antrópicas ao meio ambiente.

Os novos itens da lista são conceitos e tendências que começam a despontar nas atitudes e precisarão ser fundamentados ao longo dos próximos anos. Isto é, começam a ser desenvolvidos agora para que posteriormente sejam absorvidos em nosso comportamento no dia a dia.

Os novos Rs que nossa equipe identificou são:

  1. Respeitar todas as formas de vida e ter mais empatia pelo próximo;
  2. Repensar nossas atitudes diárias e como podemos mudar para impactar menos o meio ambiente;
  3. Reinventar estratégias e soluções, visando o menor impacto de nossas ações ao meio ambiente e o uso mais adequado dos recursos naturais;
  4. Reorganizar nossa rotina, hábitos e ações de maneira a aproveitar melhor o tempo, os espaços e recursos;
  5. Recusar produtos que agridem o meio ambiente e não respeitam a legislação ambiental;
  6. Reduzir nosso consumo ao que realmente é necessário visando sempre a uma redução na produção de lixo e de economia de recursos naturais;
  7. Reparar os produtos e materiais para diminuir o consumo e de geração de resíduos. Trata-se de concertar os defeitos e falhas de produtos em vez de comprar novos para substituí-los e
  8. Responsabilizar-se por seus atos e consumo. Entender que suas ações têm impacto na vida de outras pessoas e no meio ambiente.

Ainda não saímos da pandemia e não temos a previsão de quando isso irá acontecer. Por isso, pesquisas de análise de comportamento e tendências são tão importantes para guiar nossos próximos passos.

Prever como a sociedade se portará ao fim de uma das maiores crises globais já enfrentadas é impossível. Porém, uma certeza o mundo já tem: nada será como antes da pandemia e repensar a nossa relação com o meio ambiente é fundamental para garantir qualidade de vida e existência no nosso planeta.

Sua empresa está preparada para essa nova realidade?

A Aura está atenta às notícias, pesquisas e comportamentos para levar aos nossos clientes as melhores e mais modernas soluções de sustentabilidade.

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Due Diligence

Em tempos de COVID-19, nossa equipe tem trabalhado em projetos que não requerem a presença em campo. Neste último mês, fizemos a atualização de um Relatório de Due Diligence Ambiental e de Segurança e aproveitamos para contar pra você qual a importância desse trabalho.

E você pode estar se perguntando, mas o que é uma Due Diligence?

O dicionário define diligência como o ato de cuidar ativamente; a presteza em fazer alguma coisa; empenho; zelo. Os termos negligência e desleixo podem ser considerados seus antônimos. E com essa definição já podemos ter noção do que se trata o processo de uma Due Diligence. É o processo de investigar um determinado assunto, a fim de evitar ou prever possíveis riscos. Nosso foco é fazer essa investigação nas áreas ambiental, social e de saúde e segurança no trabalho, mas a Due Diligence pode ser executada na área financeira, contábil, jurídica, trabalhista, só para citar alguns exemplos.

Como funciona?

Os processos de aquisição, fusão, expansão, parcerias e vendas de ativos podem requerer estudos específicos para avaliar a situação do empreendimento. A Due Diligence nada mais é que o processo que investiga o passado e o presente da empresa, resultando em uma previsão de comportamento para determinada ação de compra, venda, fusão, expansão…

Além disso, a Due Diligence pode ser feita para conhecer a real situação de um empreendimento (funciona como uma auditoria). Em todos os casos é avaliado como está o atendimento aos requisitos legais e condicionantes estabelecidas, a execução de programas e projetos, a atualização de planos e documentos, o processo de documentação das informações, a existência ou não de infrações, multas ou embargos em determinadas áreas. Além disso, é avaliado também como está o relacionamento da empresa com seus stakeholders.

Toda essa avaliação leva em consideração ainda o desembolso, seja de regularização para casos de aquisição ou adequação para casos de monitoramento. Essa é uma ferramenta bastante importante, pois com as projeções adequadas, é possível avaliar se o investimento será rentável ou não, em que momento será rentável e se será sustentável no futuro. Ou seja, é fundamental para dar mais segurança nas suas transações e atrair investidores para o seu negócio!

Se você se interessou pelo assunto, quer dar uma geral nos seus processos ou está avaliando se adquire um novo negócio ou expande o que já possui, entre em contato com a gente, conheça nossa metodologia e nossa equipe capacitada.

Mais do que nunca é tempo de garantir mais certeza aos seus investimentos!

 

Meio Ambiente

05 de junho – Dia Mundial do Meio Ambiente

Essa data comemorativa nasceu há mais ou menos 50 anos, na década de 1970. Porém, o início da nossa relação com o meio ambiente extrapola a nossa compreensão temporal. O meio ambiente não se resume a um dia, e essa data nos foça a pensar em como estamos contribuindo para que essa relação se mantenha.

Entender como é a nossa relação com o meio ambiente é fundamental e é um bom começo, pois ele está presente, por exemplo, no ar que respiramos, na água que bebemos, no alimento que ingerimos, nas roupas que usamos, nos veículos que confortavelmente utilizamos…

Em consequência de todos o nosso consumo e vital dependência é que nossas atitudes devem ser cada vez mais atentas e sustentáveis, vamos AGIR juntos?

  • Preste atenção com o descarte de resíduos, procure reutilizar e recicle sempre que possível, composte os resíduos orgânicos ou apoie projetos que façam isso por você, separe corretamente aquilo que será descartado! ATENÇÃO: nessa época de pandemia, nossa geração de resíduos tem aumentado!
  • Consuma consciente, busque referências para os produtos que você quer adquirir e procure incentivar produtores e produtos localizados na sua região. Isso, além de gerar incentivo financeiro, também contribui para redução de impactos ambientais. Além disso, procure consumir aquilo que é realmente necessário.
  • Cuide da água! De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada três pessoas não tem acesso a água de qualidade, se você tem, é um privilégio, consuma com responsabilidade! ATENÇÃO: Alguns estados do Brasil estão passando por sérias crises hídricas, isso requer mais cuidado ainda.
  • Pense e cuide da biodiversidade, cada ser vivo importa, proteja aquilo que é bem de todos.
  • Colabore com sua empresa na busca por ações mais sustentáveis, essa é uma responsabilidade de todos nós!
  • Além disso, seja responsável com suas escolhas e cobre do poder público maiores investimentos em ciência, tecnologia e políticas públicas ambientalmente eficientes!

A responsabilidade está em nossas mãos.

 

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3 de junho – Dia da Educação Ambiental

Não tem como falar sobre qualquer assunto atualmente e não o relacionar ao momento que estamos vivendo, momento de pandemia, de isolamento social, de mudanças, de reflexão. E talvez muitos de nós não tenhamos nos dado conta, mas muitos conceitos e preocupações que envolvem a educação ambiental vem se manifestando mais veemente durante a pandemia do Coronavírus, como consumo consciente, mudanças comportamentais e de atitudes, responsabilidade socioambiental, proteção coletiva.

A Política Nacional de Educação Ambiental é um marco importante para a questão no Brasil, pois foi em 1999 que tal política passou foi instituída no Brasil por meio da Lei n. 9.795 de 27 de abril. Contudo, a comemoração do dia foi instituída apenas em 2012, com a finalidade de reforçar a necessidade de existência de políticas públicas para uma educação social sustentável.

A Política prevê em seu artigo primeiro que “entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade”.

As hortas comunitárias são espaços que imprimem bem essa integração entre a sustentabilidade e a socialização da comunidade, são inúmeras iniciativas que se iniciam por todas as partes do mundo e esses espaços que são muito além de uma possibilidade para o cultivo de alimentos, são catalizadores de relações sociais que são produzidas a partir de uma demanda concreta, a alimentação.

Um dos objetivos fundamentais da educação ambiental é o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos. E parece evidente que estamos vivendo algo que impactará grandemente nossa percepção e nossa relação com o meio ambiente e com a educação ambiental.

Podemos compreender então que a Educação Ambiental não se limita apenas ao ambiente escolar padrão, sendo muito mais ampla e de responsabilidade coletiva entre toda sociedade. Porém, é importante que o poder público pense formas de incentivar pautas que sejam voltadas à preservação, potencializando as ações já existentes que convergem para nos aproximarmos dos objetivos e metas previstos na Agenda 2030.

Auditoria, consultoria e treinamento

Auditoria, Consultoria e Treinamento: Qual a diferença?

Se você está procurando ajuda para sua empresa, mas não sabe se precisa de um auditor, consultor ou de um treinamento, esse post é perfeito para você!

É comum um mesmo profissional realizar as três funções, mas saiba cada serviço deve ser contratado para resolver problemas diferentes em seu negócio:

– CONSULTOR é o profissional que passa um período dentro da empresa, identificando oportunidades, propondo soluções e auxiliando na tomada de decisões. É comum o consultor visitar a empresa de forma recorrente para acompanhar o andamento de planos de ação e a evolução de assuntos chave.

– AUDITOR é quem vai aplicar uma prova, teste, ou vai avaliar uma empresa, geralmente com base em perguntas pré-estabelecidas, visando acompanhar a evolução da empresa em algum aspecto específico (qualidade, meio ambiente, segurança, saúde, etc). Em geral o auditor não vai oferecer insights ou soluções para os problemas encontrados, mas é muito comum ele terminar a auditoria com uma nota, ranking ou índice de atingimento das metas. Ele também vai ser o seu melhor amigo em uma Due Diligence, avaliando como uma empresa está, como é organizada, o que possui e o que pode melhorar.

– Já um TREINAMENTO é um momento teórico-prático realizado com a equipe de trabalho de um ou mais setores da empresa, com objetivo definido e conduzido por uma pessoa com conhecimento a respeito do tema. Muitas vezes a contratação de um treinamento é o resultado de uma consultoria ou auditoria, onde foram identificados riscos ou oportunidades de desenvolvimento para a empresa.

Agora que você conhece a diferença e sabe do que precisa, conte com a Aura Socioambiental para consultorias, auditorias e treinamentos na área ambiental, social, de saúde, segurança e gerenciamento de riscos. Atuamos em todo o Brasil, fale conosco!

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28 de Abril – Dia Internacional das Vítimas de Acidente de Trabalho

Uma data de respeito, mas não de comemoração.

O dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho, surgiu no Canadá por iniciativa do movimento sindical, e logo se espalhou por diversos países, organizado por sindicatos, federações, confederações locais e internacionais.

A data foi escolhida em razão de um acidente que matou 78 trabalhadores em uma mina no estado da Virgínia, nos Estados Unidos no ano de 1969. A OIT, desde 2003, consagra a data à reflexão sobre a segurança e saúde do trabalhador.

Desde maio de 2005, o dia 28 foi instituído no Brasil por meio da Lei nº 11.121.

O Brasil é um dos recordistas em acidente de trabalho no mundo. E isso não é um dado a ser comemorado, ao contrário. Muito menos a data é comemorativa.

Segundo o estudo da OIT, o Brasil ocupa o 4º lugar em relação ao número de mortes, com 2.503 óbitos. O país perde apenas para China (14.924), Estados Unidos (5.764) e Rússia (3.090).

Os dados estatísticos de Acidentes de Trabalho de 2011 divulgados pelo Ministério da Previdência Social indicam, em comparação com os dos anos anteriores, um pequeno aumento no número de acidentes de trabalho registrados.

O número total de acidentes de trabalho registrados no Brasil aumentou de 709.474 casos em 2010 para 711.164 em 2011.

O número de óbitos também registrou aumento: de 2.753 mortes registradas em 2010, o número subiu para 2.884 em 2011. O número de acidentes típicos seguiu a mesma tendência, os quais passaram de 417.167 em 2010 para 423.167 registros em 2011.

Já os dados apurados pelo Ministério da Previdência Social quanto às doenças ocupacionais registram queda: de 17.177 em 2010 para 15.083 em 2011.

Analisando as 5 macrorregiões demográficas, a região Sudeste conta com o maior número de acidentes de trabalho, com um total de 387.142 ocorrências, cerca de 70% do total nacional. Em seguida, a região Sul registra 153.329 casos, a região Nordeste 91.725, região Centro-Oeste 47.884 e, por fim, região Norte, com 31.084 acidentes.

Como visto, a data foi criada muito mais com o propósito de ALERTA do que de comemoração.

Anualmente milhões de vidas são perdidas em decorrência de Acidentes de Trabalho que poderiam ser evitados caso houvesse efetiva fiscalização dos órgãos competentes e interesse de toda sociedade civil.

Só temos ideia da magnitude da situação quando “a situação de fato bate à nossa porta”. Não é incomum conhecermos “alguém” que foi vítima de Acidente de Trabalho, seja em grande ou pequena proporção.

De fato temos que utilizar da data do dia 28 de Abril para homenagear todos aqueles de foram vítimas (fatais ou não) de acidente de Trabalho, mas principalmente, usar tal data para nos mobilizarmos e darmos um BASTA nas omissões relacionadas a segurança do Trabalho e que tanto refletem na vida de todos os trabalhadores.

Roberto Roche

 

 

22 de abril: Dia Internacional da Mãe Terra

A data é um momento de reflexão a respeito do impacto da intervenção humana no meio ambiente, sendo importante pensar em estratégias que fomentem o cuidado e a preservação dos nossos recursos naturais.

O surgimento da data faz referência a um protesto ambiental que ocorreu no ano de 1970, liderada por um senador dos EUA, essa manifestação ocorreu coordenadamente em algumas cidades, os principais temas abordados eram: poluição, destruição ambiental, desmatamento e efeito estufa. Esse foi um momento muito importante para a história da ecologia, e desdobrou em diversos projetos e ações voltados para dirigir maior atenção ao tema.

Apesar da ampliação dos debates e maior olhar para essa questão após o episódio data, foi só em 2009 que a ONU instituiu a data, sendo nomeada como Dia Internacional da Mãe Terra.

A Aura Socioambiental convida todas/os para realizar nesse dia o exercício de pensar quais são as atitudes que podemos tomar para conseguir tornar o mundo um lugar melhor e mais sustentável para as futuras gerações?

 

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Poluição por plástico: a cidade sufocada por 17 mil toneladas de resíduos

A Malásia se tornou um dos maiores importadores de plástico do mundo, recebendo o lixo que o resto do mundo não quer. Mas uma pequena cidade está pagando o preço por isso – e agora está sufocada por 17 mil toneladas de resíduos.
Começou no verão passado. Todas as noites, após o relógio dar meia-noite, Daniel Tay sabia exatamente o que estava por vir.

Ele fechava as portas e as janelas e aguardava o inevitável. Logo seu quarto seria tomado por um cheiro acre, que lembra borracha queimada. Ao tossir, seus pulmões eram pressionados.

Nos meses seguintes, o odor estranho voltaria todas as noites, com hora marcada.

Só mais tarde ele descobriu a origem do cheiro – usinas de reciclagem ilegais que queimavam plástico clandestinamente.

Sem lugar para ir

Naquele momento, ele não fazia ideia de que, em 2017, a China tinha decidido proibir a importação de resíduos plásticos. Só naquele ano haviam sido enviados sete milhões de toneladas de resíduos e muitos ambientalistas consideraram uma vitória quando a China reprimiu a prática.

Mas sem ter para onde ir, a maior parte do resíduo plástico – proveniente principalmente do Reino Unido, dos EUA e do Japão – foi simplesmente encaminhada para outro lugar: a Malásia.

Poderia ter sido qualquer cidade, mas a proximidade de Jenjarom de Port Klang – maior porto do país e porta de entrada da maior parte das importações de plástico – tornou o local ideal.

De janeiro a julho de 2018, cerca de 754 mil toneladas de resíduos plásticos foram importados pela Malásia.

As usinas ilegais de reciclagem de plástico começaram a surgir, na esperança de obter lucro rápido com a promissora indústria de reciclagem, avaliada em mais de 3 bilhões de ringgits malaios (cerca de R$ 2,7 bilhões).

De acordo com o Conselho de Estado, havia 33 fábricas ilegais em Kuala Langat – distrito em que a cidade de Jenjarom está localizada. Algumas foram instaladas perto de densas plantações de dendê, outras mais perto da cidade.

Mas levaria meses até os moradores tomarem conhecimento da sua existência – só perceberam depois que os sintomas começaram a aparecer.

Cidade de Jenjaron na Malásia estava cheia de 'yanglaji' ou 'lixo ocidental' — Foto: BBC

Cidade de Jenjaron na Malásia estava cheia de ‘yanglaji’ ou ‘lixo ocidental’ — Foto: BBC

‘Envenenados lentamente’

“O cheiro começou há um tempo, mas piorou em agosto deste ano”, conta Tay.

“Comecei a me sentir mal e continuei tossindo. Fiquei com muita raiva quando descobri que era por causa das fábricas.”

O resíduo plástico é normalmente reciclado em pellets (grânulos milimétricos de resina plástica), que podem ser usados para fabricar outros tipos de plástico.

Nem todo plástico pode ser reciclado, então as usinas de reciclagem precisam enviar o material não-reciclável ​​para centros de descarte – algo que custa dinheiro.

Mas muitas usinas ilegais preferem descartar o resíduo sem pagar nada, de forma insalubre – enterrando, ou mais comumente, queimando.

Outra moradora, Ngoo Kwi Hong, conta que a fumaça da incineração provocou uma tosse tão violenta que ela chegou a cuspir um coágulo de sangue.

“Eu não conseguia dormir à noite porque era muito fedorento. Virei um zumbi, estava muito cansada”, diz Ngoo.

“Só mais tarde descobri que havia usinas em volta da minha casa – ao norte, sul, leste, oeste.”

Aqueles que moravam mais perto das usinas foram os mais afetados.

Belle Tan, que descobriu que havia uma usina ilegal a apenas 1 km da sua casa, revela o impacto no filho de 11 anos.

“Ele teve uma erupção cutânea muito grave na barriga, no pescoço, nas pernas e nos braços. A pele dele continuava descascando, doía até quando tocávamos nele. Eu estava com raiva e temerosa pela saúde dele, mas o que eu podia fazer? O cheiro estava por toda parte.”

Não está claro se essas doenças estão diretamente ligadas à poluição do ar, mas um especialista afirmou que a inalação da fumaça proveniente da queima do plástico provavelmente causou impacto na saúde respiratória das pessoas.

“A principal questão sobre essa fumaça de plástico é que ela é cancerígena”, disse à BBC Tong Yen Wah, professor do Departamento de Química e Engenharia Biomolecular da Universidade Nacional de Singapura (NUS, na sigla em inglês).

“Também depende muito dos tipos de plástico que estão sendo queimados e da exposição a eles. Se você tiver uma exposição alta num curto prazo, poderá ter dificuldade para respirar… [ou pode] provocar alguns efeitos em seus pulmões. Mas se a exposição for em longo prazo… é aí que entram os efeitos cancerígenos.”

Muitos moradores da cidade permanecem, no entanto, completamente indiferentes aos potenciais efeitos da incineração.

“Muitas pessoas aqui estão apenas tentando ganhar a vida”, diz Tay. “Elas vão dizer só que é fedorento e continuar com suas vidas, elas não entendem que é algo que pode as estar envenenando lentamente.”

A BBC conversou com vários moradores, muitos dos quais relataram ter sentido o cheiro da fumaça, mas não pensaram muito a respeito.

“Você continua sentindo o cheiro e seu corpo se acostuma”, brincou um morador. “Talvez possa até ser bom para você.”

Um aterro improvisado

O governo da Malásia já fechou 33 usinas que considera ilegais em Jenjarom e, na maioria dos casos, a fumaça acabou.

Mas as 17 mil toneladas de lixo deixadas por essas fábricas ainda estão lá – e não são insignificantes para uma cidade de 30 mil habitantes.

A maior parte deste lixo foi apreendida pelas autoridades, mas 4 mil toneladas de resíduos plásticos ainda estão concentrados em um único local – à vista de qualquer um.

Uma montanha de resíduos está acumulada no que antes era aparentemente um terreno baldio, mas que agora se tornou um aterro improvisado.

Uma caminhada rápida pelo local revela que uma enorme quantidade de resíduos plásticos vem de outros países, sendo grande parte do Japão e do Reino Unido – é possível avistar marcas como Asda, Co-op e Fairy no lixo.

“Estamos tentando identificar quem é o dono do terreno, ainda estamos investigando”, diz a ministra da Habitação e Governo Local, Zuraida Kamaruddin, à BBC.

O Estado de Selangor, em que a cidade de Jenjarom está localizada, tentou fazer um leilão, mas sem sucesso.

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Ibama realiza Consulta Pública sobre Guia de Avaliação de Impacto Ambiental para Sistemas de Transmissão de Energia